Artigos

Contributos da Associação para a cogestão do PNSACV

SIM, É POSSÍVEL A EXISTÊNCIA ENTRE O SER HUMANO E A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA!

Contributos para um modelo de desenvolvimento rural sustentável em Porto Covo.

O conceito de quintas cultivadas com culturas sazonais e vocacionadas para o turismo rural, com foco no respeito pela fauna e flora locais e na plantação de árvores nativas, tem um enorme potencial para o desenvolvimento sustentável do Litoral Alentejano.

 Na freguesia de Porto Covo, concelho de Sines, existe um aglomerado de quintas, constituídas em 1986, com a área mínima de cultura a sul do Tejo de 5.000 metros, estando o território dividido em 239.

Cada uma das 239 quintas poderá, em teoria, oferecer alojamento e experiências de turismo rural, permitindo aos visitantes uma imersão na vida do campo. Poderá incluir a visitação das quintas, onde poderão ser realizados workshops sobre agricultura biológica e culinária regional, e passeios de observação da natureza, passeios a cavalo, etc..etc…

Este modelo atrai um segmento de turistas que procura autenticidade, tranquilidade e contacto com a natureza, contribuindo para a diversificação da oferta turística da região.

O compromisso com o respeito pela fauna e flora locais é fundamental. Isso implica a adoção de práticas agrícolas biológicas, a criação de corredores ecológicos entre as quintas, a preservação de habitats naturais e a minimização da perturbação das espécies selvagens. A implementação de planos de gestão de resíduos e de efluentes será igualmente crucial para garantir a sustentabilidade ambiental do projeto.

O incremento da plantação de árvores naturais do Litoral Alentejano (como o sobreiro, a azinheira, o pinheiro-manso e o medronheiro) será uma mais-valia significativa. Esta ação não só contribuirá para a mitigação da poluição e o aumento da qualidade do ar no concelho, como também para a recuperação e enriquecimento dos ecossistemas locais. Estas florestas criam um ambiente mais agradável para os residentes e visitantes, promovendo a biodiversidade e oferecendo oportunidades para atividades como a observação de aves e o pedestrianismo.

O design do aglomerado rural deverá privilegiar a integração paisagística, utilizando materiais e técnicas construtivas que minimizem o impacto visual e se harmonizem com o ambiente natural circundante. As casas, embora habitacionais, poderiam ser projetadas com arquitetura vernacular e sustentável, com recurso a materiais de construção amigos do ambiente, nomeadamente madeiras.

É possível criar um plano abrangente que aborde a gestão de recursos hídricos, resíduos, energia, e a conservação da biodiversidade e dos solos.

É fundamental ter em conta que cerca de 1/5 das quintas já estão cultivadas e servem de habitação aos seus proprietários, e que esta prática é pacificamente aceite pela comunidade de Porto Covo.

A aceitação é baseada no benefício mútuo de manter atividades comerciais e empresariais ativas todo o ano e afeta significativa e positivamente a perspetiva sobre a viabilidade e o enquadramento do projeto.

A Junta de Freguesia procede atualmente à limpeza das fossas séticas, o que indica um conhecimento prático da realidade local e uma potencial parceria, no entanto é possível a criação de uma solução mais eficiente, autossuficiente e ambientalmente responsável para o aglomerado rural.

Este projeto, alicerça-se quer na necessidade de dar resposta à falta de habitação no concelho, quer no apoio da comunidade e no potencial de um turismo rural autêntico e sustentável, revelando potencialidades para transformar desafios ambientais em oportunidades para um desenvolvimento territorial inovador e consciente, ecologicamente regenerador e socialmente integrador, prevendo-se a partilha de custos, cujo plano traga benefícios mútuos para os proprietários, acesso à habitação e saneamento de qualidade, dinamização económica, e para o concelho, combate à poluição, desenvolvimento rural, turismo sustentável, e é potenciador de gerar um modelo exemplar de desenvolvimento rural no Litoral Alentejano.

Em suma, a criação de um aglomerado rural desta dimensão, é um projeto ambicioso, mas com um enorme potencial para demonstrar um modelo de desenvolvimento rural sustentável, onde o turismo, a agricultura e a conservação ambiental coexistem em harmonia, garantindo um compromisso rigoroso com a sustentabilidade e a preservação do valioso património natural do Litoral Alentejano.

Pel’a Direção da

Associação Proprietários Quintinhas da Parreira